Por muito tempo empresas olharam para a saúde mental como algo bem secundário, quase um “extra” caridoso, um gesto de cuidado “a mais” que se oferece ao funcionário depois que tudo o mais está funcionando.

Mas a realidade é outra. Há muito tempo já se reconhece que o ambiente de trabalho não é neutro. Ele impacta diretamente o funcionamento psíquico, emocional e biológico do trabalhador, ao mesmo tempo que também é impactado por todas as outras experiências humanas que envolvem a vida daquela pessoa.  E assumir a responsabilidade por esta realidade, muda tudo.

Não é possível focar em produtividade sem considerar a estrutura psíquica do sujeito.  

Do ponto de vista da Psicologia Junguiana, o trabalho é: 

  • lugar de pertencimento ou exclusão 
  • campo de reconhecimento ou invisibilidade 
  • espaço de expressão ou repressão da identidade

Quando um colaborador adoece, raramente é apenas pelo excesso de tarefas.
Ele adoece quando, repetidamente, precisa: 

  • silenciar partes de si 
  • sustentar tensões sem elaboração 
  • viver sob ameaças simbólicas: medo, desvalorização, instabilidade

O corpo responde quando o sujeito não consegue mais simbolizar.

A NR-1 traz um avanço importante ao reconhecer os riscos psicossociais como parte da gestão de segurança e saúde. Mas aqui está o ponto mais profundo: O risco psicossocial não está apenas na carga de trabalho mas sobretudo na qualidade invisível das relações. Ambientes onde há:

  • comunicação violenta ou ambígua 
  • ausência de reconhecimento 
  • insegurança constante 
  • falta de limites e comunicação claros 

…não são apenas “difíceis”, são desorganizadores da psique. E uma psique desorganizada não sustenta presença, produtividade, criatividade, responsabilidade ou vínculo.

Uma empresa comprometida com a saúde integral de seu trabalhador não se preocupa exclusivamente em evitar afastamentos. Mas entende que: 

Um trabalhador emocionalmente sobrecarregado perde sentido e sem isso, não se trabalha com presença e entusiasmo. 

Vale pensar que cada indivíduo dentro da empresa forma uma psique coletiva que se manifesta na escuta dos líderes, na forma como os conflitos são gerenciados, e na possibilidade (ou não) de existir como ser humano ali dentro.  Quando o campo psíquico coletivo é saudável, todos crescem. Quando é adoecedor, as pessoas apenas se adaptam até não conseguirem mais. 

Ambientes que reconhecem o humano:

  • aumentam responsabilidade 
  • fortalecem vínculos 
  • ampliam autonomia real 
  • sustentam decisões mais maduras 

As empresas que irão se sustentar não serão apenas as mais eficientes, mas as mais organizadas psiquicamente. Aquelas que entenderem que:

  • produtividade sem sentido adoece 
  • metas sem humanidade colapsam vínculos 
  • e resultados sem estrutura emocional não se mantêm 

A sua empresa está apenas exigindo performance ou empenhada em sustentar um ambiente onde o ser humano pode, de fato, existir?

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